PF CUMPRE MANDADO NA CASA DE BOLSONARO: Na manhã do dia 18 de julho de 2025, a Polícia Federal deflagrou mais uma fase da operação Tempus Veritatis, que investiga a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida na tentativa de golpe de Estado, além de fraudes em registros de vacinação contra a Covid-19. O principal alvo dessa fase da operação foi o ex-presidente Jair Bolsonaro, que teve sua residência oficial em Brasília vistoriada por agentes da PF.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e incluiu mandados de busca e apreensão, além da imposição do uso de tornozeleira eletrônica ao ex-chefe do Executivo. De acordo com a decisão judicial, a medida cautelar foi aplicada para garantir o monitoramento de Bolsonaro e evitar obstruções ao processo investigativo.
Além do ex-presidente, outros aliados próximos foram alvos de medidas judiciais, entre eles ex-ministros, assessores e militares reformados que participaram de reuniões e articulações envolvendo documentos golpistas e movimentações suspeitas nos dias que antecederam os atos de 8 de janeiro de 2023.
Tornozeleira eletrônica é imposta por ordem do STF
A tornozeleira eletrônica foi aplicada a Jair Bolsonaro ainda na manhã do dia 18, logo após a visita dos agentes da PF à sua residência. A medida foi uma das mais impactantes desde o início das investigações contra o ex-presidente e simboliza uma nova escalada na tensão entre o Judiciário e figuras do antigo governo.
De acordo com o despacho do ministro Alexandre de Moraes, o monitoramento eletrônico é justificado pela “gravidade dos fatos apurados” e pela “necessidade de assegurar a integridade do processo penal em curso”. A decisão também cita o risco de fuga e a possibilidade de destruição de provas, uma vez que Bolsonaro mantém contato com diversos interlocutores que também estão sob investigação.
O equipamento foi instalado no tornozelo direito do ex-presidente, que, segundo informações preliminares, não resistiu à medida, embora seus advogados tenham classificado a decisão como “exagerada, desproporcional e política”.
Investigação apura tentativa de golpe e inserção de dados falsos no sistema de vacinação
A operação da Polícia Federal está inserida no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado que teria sido planejada por integrantes do antigo governo para impedir a posse de Lula em 1º de janeiro de 2023. Além disso, a PF investiga a fraude na inserção de dados de vacinação no sistema do Ministério da Saúde, com o objetivo de forjar certificados para viagens internacionais, especialmente para Bolsonaro e seus familiares.
As investigações indicam que um grupo coordenado teria elaborado minutas golpistas, cooptado militares e planejado ações que culminariam na intervenção militar sob pretexto de fraudes eleitorais. Conversas obtidas por meio de quebras de sigilo, inclusive mensagens trocadas por aplicativos, sugerem que Bolsonaro não só tinha conhecimento dessas ações como teria atuado ativamente para incentivá-las.
Documentos apreendidos em fases anteriores da operação já apontavam para um plano detalhado que envolvia decretos falsos, mobilização de tropas e tentativas de cooptação de comandantes das Forças Armadas. A operação desta quinta-feira representa o aprofundamento dessa linha investigativa, focando agora na responsabilização direta do ex-presidente.
Defesa de Bolsonaro se pronuncia e promete recorrer
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se pronunciou no mesmo dia da operação, classificando a medida de imposição da tornozeleira eletrônica como “ilegal, desnecessária e de viés político”. Em nota assinada pelos advogados Frederick Wassef e Paulo Bueno, os defensores afirmam que não há risco de fuga ou de obstrução da Justiça por parte de Bolsonaro, que, segundo eles, tem colaborado com todas as etapas do processo.
“Trata-se de mais um ato de perseguição contra um ex-presidente que representa uma força política legítima. A defesa tomará todas as medidas cabíveis para reverter essa decisão arbitrária”, afirma a nota divulgada à imprensa.
Além do recurso, os advogados afirmaram que pretendem denunciar a situação a organismos internacionais de direitos humanos, como a Comissão Interamericana da OEA, sob o argumento de que o Brasil vive um “estado de exceção jurídico disfarçado de legalidade”.
Repercussão política e jurídica sacode o cenário nacional
A operação teve forte repercussão nos meios políticos e jurídicos. Parlamentares da base do governo Lula elogiaram a atuação da PF e reforçaram a confiança nas instituições. O senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), líder do governo no Congresso, afirmou que “a Justiça está sendo feita” e que “ninguém está acima da lei”.
Do outro lado, deputados bolsonaristas reagiram com indignação e convocaram manifestações de apoio ao ex-presidente. A deputada Carla Zambelli (PL-SP) disse que a medida é uma “afronta ao Estado Democrático de Direito” e prometeu apresentar moções no Congresso para questionar a atuação de Moraes.
Juristas dividem opiniões sobre a legalidade e a necessidade da tornozeleira. Alguns, como o professor de Direito Constitucional Rubens Glezer, consideram a medida extrema, mas tecnicamente válida. Outros apontam que a decisão poderia ter sido substituída por medidas mais brandas, como restrição de deslocamento ou proibição de contato com outros investigados.
Conclusão
A imposição da tornozeleira eletrônica a um ex-presidente da República representa um marco sem precedentes na história recente do Brasil. A operação da Polícia Federal do dia 18 de julho de 2025 evidencia o avanço das investigações sobre a tentativa de subversão da ordem democrática após as eleições de 2022.
Os desdobramentos jurídicos e políticos devem se intensificar nos próximos dias, com expectativa de novas medidas cautelares, oitivas e ações no Supremo Tribunal Federal. A sociedade brasileira acompanha com atenção os acontecimentos que podem definir o futuro da responsabilização de agentes públicos e políticos envolvidos em ações que colocaram a democracia brasileira sob risco.
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