A democracia enfrenta seu momento mais crítico em décadas. De acordo com o prestigiado Relatório da Democracia 2025 do Instituto V-Dem (Varieties of Democracy), da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, quase 3 em cada 4 pessoas no planeta cerca de 72% da população mundial vivem atualmente em autocracias. Esse número representa aproximadamente 5,8 bilhões de indivíduos e marca o nível mais alto desde 1978.
Autocracias Superam Democracias pela Primeira Vez em Mais de 20 Anos
Pela primeira vez em mais de duas décadas, o mundo registra mais autocracias do que democracias. Em 2024, foram contabilizadas 91 autocracias (56 eleitorais e 35 fechadas) contra apenas 88 democracias (29 liberais e 59 eleitorais). Países populosos como China, Índia (em processo de autocratização), Rússia, Paquistão e Bangladesh impulsionam esse peso populacional, já que o índice do V-Dem é ponderado pela população, priorizando o impacto real sobre as pessoas.
Autocracias eleitorais regimes que mantêm eleições, mas manipulam resultados, reprimem oposição e controlam a mídia representam grande parte desse crescimento. Enquanto isso, democracias liberais caíram para o tipo de regime menos comum globalmente, com apenas 29 países.
Quase 40% da População em Países em Processo de Autocratização
O relatório destaca que 38% da população mundial (cerca de 3,1 bilhões de pessoas) reside em nações que estão passando por episódios de autocratização. São 45 países atualmente em declínio democrático, um recorde histórico. Ferramentas comuns incluem censura à mídia, enfraquecimento de eleições e ataques à sociedade civil.
Em contrapartida, apenas 6% da população global vive em países que avançam rumo à democratização. Exemplos de “U-turn” (reversão de autocratização) incluem Brasil, Bolívia e Equador, mas o saldo geral é negativo.
Por Que o Número é Tão Alto
O alto percentual se explica pela concentração em nações de grande população. A Ásia do Sul e Central, o Oriente Médio e Norte da África, além da África Subsaariana, concentram a maioria das autocracias. Regiões como América Latina e Caribe mostram casos mistos, com avanços em alguns países e retrocessos em outros, como Argentina, El Salvador e Nicarágua.Outros índices, como o da Economist Intelligence Unit (EIU) e Freedom House, apontam números menores para regimes autoritários puros (cerca de 36-40%), mas o V-Dem adota uma definição mais ampla, incluindo autocracias eleitorais, o que reflete melhor o declínio real das liberdades.



