Mediação discreta busca evitar escalada militar no Oriente Médio
Irã e Estados Unidos devem retomar negociações indiretas em Omã, reacendendo uma via diplomática considerada essencial para conter a escalada de tensões no Oriente Médio. O diálogo, mediado tradicionalmente pelo sultanato omanense, ocorre em um momento de fragilidade estratégica, marcado por confrontos regionais, sanções econômicas severas e um impasse prolongado sobre o programa nuclear iraniano.
Apesar de não haver confirmação oficial sobre datas ou agenda detalhada, a retomada das conversas sinaliza que ambos os lados reconhecem os limites da pressão militar e econômica. Washington enfrenta dificuldades para manter estabilidade regional sem ampliar seu envolvimento direto, enquanto Teerã sofre os efeitos cumulativos das sanções e do isolamento financeiro.
Programa nuclear volta ao centro das negociações
O principal ponto de atrito continua sendo o programa nuclear do Irã. Autoridades ocidentais acusam Teerã de avançar no enriquecimento de urânio além dos limites previstos no acordo nuclear de 2015 (JCPOA), abandonado pelos EUA durante o governo Trump. Desde então, o pacto nunca foi plenamente restaurado, e as tentativas de renegociação fracassaram repetidas vezes.
Para os Estados Unidos, qualquer avanço diplomático exige garantias verificáveis de que o Irã não desenvolverá armas nucleares. Já Teerã insiste que seu programa tem fins pacíficos e condiciona concessões ao alívio efetivo das sanções, algo que Washington reluta em conceder sem compromissos prévios.
Omã mantém papel-chave como mediador confiável
Omã volta a se destacar como canal diplomático silencioso, longe dos holofotes e da retórica pública. O país tem histórico de intermediar contatos sensíveis entre inimigos geopolíticos, justamente por manter relações equilibradas com Washington e Teerã.
Essa diplomacia de bastidores é vista como a única alternativa viável no momento, já que negociações diretas seguem politicamente tóxicas para ambos os governos, especialmente diante de pressões internas e de aliados regionais.
A retomada das conversas ocorre em meio a um cenário regional altamente volátil: conflitos envolvendo aliados do Irã, ataques a bases militares, ameaças à navegação no Golfo e tensões constantes entre Israel e grupos apoiados por Teerã.
Nesse contexto, o diálogo em Omã surge menos como um gesto de aproximação e mais como uma tentativa de gerenciamento de crise.



