Em declaração divulgada por sua defesa, o ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol afirmou sentir profundo pesar pela crise política que abalou a Coreia do Sul e pediu desculpas públicas à população. O pronunciamento ocorreu um dia após a Justiça condená-lo à prisão perpétua por envolvimento em uma tentativa de insurreição relacionada à imposição de lei marcial.
Yoon declarou aceitar a responsabilidade moral pelas consequências de suas decisões, mas ressaltou que continuará contestando a sentença por vias legais. O pedido de desculpas acontece em um momento de enorme tensão institucional, com o país ainda dividido após meses de turbulência política.
Condenação por tentativa de golpe e abuso de poder
O tribunal concluiu que o ex-mandatário tentou utilizar forças militares e policiais para consolidar controle político durante a breve lei marcial decretada em dezembro de 2024. Segundo a decisão, a medida representou uma ameaça direta à ordem constitucional e à democracia sul-coreana.
Promotores chegaram a solicitar a pena de morte prevista na legislação para crimes de insurreição —, porém os juízes optaram pela prisão perpétua. Durante a crise, tropas chegaram a cercar o Parlamento, ação interpretada por analistas como uma tentativa de neutralizar a oposição e ampliar poderes extraordinários do Executivo.
Coreia do Sul vive polarização sem precedentes
O caso provocou uma das maiores crises institucionais das últimas décadas no país, evidenciando profunda polarização política e social. Multidões pró e contra o ex-presidente ocuparam as ruas e os arredores do tribunal ao longo do julgamento.
Autoridades afirmam que as ações colocaram em risco anos de consolidação democrática após o fim do regime militar no país. Já aliados de Yoon sustentam que ele tentou restaurar a ordem diante de um impasse político e de protestos generalizados.
Condenação marca precedente na política sul-coreana
A prisão perpétua de um ex-chefe de Estado é considerada rara, mas reforça a reputação da Coreia do Sul de responsabilizar judicialmente líderes após deixarem o poder — algo já observado em escândalos anteriores envolvendo corrupção e abuso de autoridade.
Especialistas apontam que o pedido de desculpas tem peso simbólico, mas não deve encerrar a crise política nem reduzir a divisão entre os cidadãos. O futuro político do país permanece incerto, enquanto recursos judiciais podem prolongar o caso por anos.



