Iniciativa dos EUA gera desconfiança internacional e pode enfraquecer a posição do Brasil como mediador neutro
O chamado Conselho de Paz de Trump vem provocando apreensão entre líderes mundiais e especialistas em política externa.
Apresentado pelo presidente dos Estados Unidos como uma solução inovadora para mediar conflitos e promover a reconstrução de regiões como a Faixa de Gaza, o projeto é visto por diplomatas como uma estratégia geopolítica arriscada especialmente para o Brasil e para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar do discurso de pacificação, a proposta levanta suspeitas de que o conselho possa servir para concentrar poder em Washington, enfraquecer o papel da ONU e criar uma nova arquitetura internacional baseada em influência financeira e alinhamento político.
Conselho de Paz de Trump
O plano prevê a criação de um organismo internacional paralelo às Nações Unidas, liderado diretamente por Donald Trump, com poder para atuar em conflitos armados, definir planos de reconstrução e estabelecer acordos de segurança.
Na prática afirma que o conselho funcionaria como um instrumento de pressão diplomática, onde países que aceitarem participar terão de seguir regras políticas e econômicas rígidas.
Entre os pontos mais controversos estão a exigência de contribuições financeiras bilionárias para assentos permanentes e a possibilidade de o órgão substituir o Conselho de Segurança da ONU em decisões estratégicas
Brasil corre risco ao aderir à proposta
O Brasil construiu sua política externa com base no multilateralismo, no diálogo e na neutralidade ativa, atuando como mediador em crises internacionais e defensor do fortalecimento da ONU.
Ao aceitar integrar o Conselho de Paz de Trump, o governo Lula pode:
- Perder credibilidade como ator neutro
- Romper pontes com a União Europeia e países árabes
- Enfraquecer sua liderança dentro dos BRICS
- Ser visto como aliado automático dos Estados Unidos
Desconfiança cresce na Europa e no Oriente Médio
França, Alemanha e outros países europeus já demonstraram resistência aberta ao Conselho de Paz. A principal preocupação é que a iniciativa:
- Enfraqueça o papel das Nações Unidas
- Crie um sistema de “paz por assinatura”, onde quem paga mais tem mais influência
- Transforme crises humanitárias em instrumentos de barganha política
No Oriente Médio, líderes palestinos e países árabes também veem a proposta com cautela, temendo que ela legitime soluções unilaterais impostas pelos Estados Unidos.
Gaza como vitrine geopolítica
Trump apresenta Gaza como o primeiro grande teste do Conselho de Paz, prometendo reconstrução e estabilidade.
No entanto, analistas apontam que o plano ignora a complexidade política da região e pode beneficiar interesses econômicos ligados aos EUA, deixando de lado a busca por uma solução justa e duradoura para o conflito.
Para o Brasil, apoiar esse projeto pode significar abrir mão de décadas de diplomacia equilibrada e assumir riscos desnecessários no tabuleiro internacional.
O Conselho de Paz de Trump surge como uma proposta ambiciosa, mas controversa.
Para Lula, aceitar o convite pode representar uma armadilha diplomática, com impacto direto na credibilidade e na autonomia do Brasil.


