Para o especialista, a gestão do ministro na Fazenda consolidou sua imagem como liderança técnica e política, pavimentando caminhos para o cenário eleitoral de 2026.
A iminente saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda marca um ponto de inflexão na política econômica do governo Lula. Segundo a avaliação de Paulo Souza, o ministro encerra seu ciclo na pasta com um capital político significativamente superior ao que detinha no início do mandato. A análise aponta que Haddad conseguiu equilibrar as demandas sociais do governo com a responsabilidade fiscal, ganhando respeito em setores antes resistentes ao seu nome.
Com o desembarque do governo previsto para os próximos meses, o foco agora se volta para o papel que o ex-prefeito de São Paulo desempenhará na construção da campanha de reeleição e na articulação partidária do PT para as próximas eleições.
O legado técnico e a pacificação com o mercado
A trajetória de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda foi marcada pela aprovação de pautas complexas, como a Reforma Tributária e o novo Arcabouço Fiscal. Para Paulo Souza, esses avanços demonstram uma capacidade de negociação que surpreendeu positivamente o Congresso Nacional e o mercado financeiro.
Consolidação como braço direito de Lula
Diferente de outros momentos da sua carreira, Haddad posicionou-se como o principal interlocutor do presidente Lula em temas estratégicos. Essa proximidade não apenas fortaleceu sua gestão, mas também o protegeu de críticas internas do próprio partido, permitindo que ele saísse do ministério com uma imagem de “fiador da estabilidade”.
Fernando Haddad e os desafios para as eleições de 2026
Apesar de ter declarado recentemente que não pretende disputar cargos eletivos no pleito de 2026, a influência de Haddad será determinante. A análise de Souza sugere que, ao deixar o cargo “maior do que entrou”, o ministro se torna uma peça-chave na formulação do programa de governo e na ponte com o eleitorado de centro.
O desafio agora será converter o sucesso administrativo em tração política fora da Esplanada dos Ministérios. O PT já ventila a possibilidade de Haddad atuar como um grande coordenador político, ajudando a unificar a base aliada em torno da candidatura à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Uma saída estratégica da Fazenda
A movimentação de saída é vista como estratégica. Ao deixar o cargo antes de desgastes naturais de fim de mandato, Haddad preserva os bons índices de aprovação de sua gestão econômica. Analistas concordam que ele entrega um país com indicadores de emprego e inflação sob controle, o que serve como um cartão de visitas robusto para qualquer voo político futuro.
O tom neutro das avaliações de mercado indica que a transição na Fazenda será observada de perto, mas que o terreno deixado por Haddad oferece a segurança necessária para a continuidade das políticas atuais.
Fonte: UOL


