Mais de 200 presos políticos fazem greve de fome na Venezuela

Mais de 200 presos políticos fazem greve de fome na Venezuela
Mais de 200 presos políticos fazem greve de fome na Venezuela

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A greve de fome desesperada de mais de 200 presos políticos na Venezuela expõe a farsa da suposta transição democrática no país.

Iniciada na prisão de El Rodeo I, nos arredores de Caracas, a ação extrema reúne 213 a 214 detentos (incluindo venezuelanos e estrangeiros), segundo relatos consistentes de familiares, do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clipp) e do Foro Penal. Alguns até aderiram à greve de fome e sede, agravando o risco de mortes iminentes.

Liberdade Seletiva e Exclusões Cruéis

Aprovada pela Assembleia Nacional e sancionada pela presidente interina Delcy Rodríguez, a lei de anistia prometia corrigir anos de repressão chavista, abrangendo supostamente delitos políticos de 1999 a 2026. Na prática, porém, trata-se de uma anistia parcial e discriminatória. Centenas de presos foram libertados,  cerca de 177 a 464 em diferentes contagens oficiais e de ONGs, com 80 no sábado (21/02) e mais 30 no dia seguinte, mas centenas permanecem excluídos.

As exclusões atingem principalmente acusações de terrorismo, traição à pátria, delitos militares e casos envolvendo ações armadas ou supostas violações graves. Essas categorias são comuns entre opositores, militares dissidentes e críticos do antigo regime. O Foro Penal estima que pelo menos 400 presos políticos fiquem de fora, enquanto o regime nega a existência de detentos por motivos políticos.

Entre os grevistas destaca-se o gendarme argentino Nahuel Agustín Gallo, acusado de terrorismo, uma das acusações que a lei convenientemente ignora. Familiares relatam que mais de 50 detentos estão em estado delicado, incluindo idosos acima de 70 anos, expostos a condições precárias e falta de atenção médica.

Protesto Extremo Diante de uma Transição Falsa

A greve de fome não é apenas um ato de desespero é uma denúncia contundente contra a hipocrisia do novo governo. Enquanto Delcy Rodríguez e aliados celebram uma Venezuela mais democrátic”, a realidade nas prisões revela continuidade da repressão seletiva. A Cruz Vermelha visitou presídios como El Rodeo e El Helicoide, mas as liberações avançam lentamente, com tribunais rejeitando pedidos, retardo processal e negativas arbitrárias.

Urgência Humanitária e Cobrança Internacional

Com o protesto já em andamento há dias, o risco de tragédia aumenta a cada hora. Familiares mantêm vigílias do lado de fora, enquanto ONGs internacionais cobram ação imediata.

A greve de fome em El Rodeo I não é só um grito por liberdade: é a prova de que a suposta nova era venezuelana ainda carrega as marcas da ditadura. Sem inclusão plena e sem justiça real, qualquer “transição” será apenas mais uma página de sofrimento para quem ousou sonhar com democracia.

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