A tensão histórica entre Paquistão e Afeganistão atingiu um novo patamar após o governo paquistanês declarar estar em guerra aberta contra o regime afegão. A afirmação foi feita pelo ministro da Defesa, Khawaja Mohammad Asif, após uma série de bombardeios e confrontos na fronteira entre os dois países.
A escalada reacende temores de um conflito prolongado no sul da Ásia e levanta dúvidas sobre a estabilidade regional em um momento já marcado por crises econômicas e tensões políticas internas.
Bombardeios e ofensiva militar ampliam tensão
Segundo autoridades de Islamabad, ataques aéreos atingiram alvos estratégicos em território afegão, incluindo áreas próximas a Cabul. O governo paquistanês afirma que as operações são uma resposta direta a ações de grupos insurgentes que estariam utilizando o Afeganistão como base para ataques transfronteiriços.
A retórica adotada pelo ministro da Defesa foi além do discurso diplomático habitual. Ao utilizar o termo guerra aberta, o governo sinaliza que não considera mais os confrontos como incidentes isolados, mas como parte de uma ameaça estrutural à segurança nacional.
O papel do Talibã e do TTP na crise
O atual governo afegão é controlado pelo Talibã, que retornou ao poder em 2021. Desde então, a relação com o Paquistão deteriorou-se, especialmente por causa da atuação do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP).
Islamabad acusa o TTP de organizar ataques dentro do território paquistanês com apoio logístico ou tolerância do lado afegão da fronteira. Cabul nega as acusações e afirma que o Paquistão utiliza o grupo como justificativa para interferência militar.
A disputa expõe um paradoxo geopolítico o Paquistão foi historicamente um dos principais interlocutores do Talibã, mas agora enfrenta consequências de uma aliança estratégica que se tornou instável.
Consequências regionais e risco humanitário
Especialistas alertam que a escalada pode gerar impactos graves:
- Nova onda de deslocados e refugiados
- Interrupção de rotas comerciais estratégicas
- Fortalecimento de grupos extremistas na região
- Pressão adicional sobre economias já fragilizadas
Além disso, a fronteira entre os dois países marcada pela controversa Linha Durand sempre foi um ponto sensível. Confrontos militares nessa área têm potencial de rápida ampliação.
Retórica política ou conflito prolongado
Embora o termo “guerra aberta” tenha forte impacto político, ainda não está claro se haverá uma declaração formal de guerra ou se o discurso faz parte de uma estratégia de pressão interna e externa.
O Paquistão enfrenta desafios políticos e econômicos significativos, e a adoção de uma postura firme pode também servir para reforçar apoio doméstico. Por outro lado, o Afeganistão vive isolamento internacional e dificuldades financeiras severas, o que limita sua capacidade de sustentar um confronto prolongado.
O risco real é a combinação de retórica agressiva com ações militares contínuas, criando um ciclo difícil de interromper.



