A Rússia intensificou dramaticamente sua ofensiva aérea contra a Ucrânia na madrugada de 3 de fevereiro de 2026, com um bombardeio massivo que envolveu cerca de 450 drones e mais de 70 mísseis, totalizando mais de 520 projéteis lançados. Esse ataque é considerado o maior do ano até agora e um dos mais intensos do conflito em curso, ocorrendo em meio a temperaturas que chegam a -20°C em várias regiões.
Estratégia de Pressão no Inverno
De acordo com autoridades ucranianas, incluindo o presidente Volodymyr Zelensky e a Força Aérea da Ucrânia, o objetivo principal foram as instalações energéticas em pelo menos seis regiões do país. A Rússia utilizou uma combinação letal de armas:
- 32 mísseis balísticos (incluindo Iskander-M e S-300);
- Mísseis de cruzeiro Kh-101 e Kh-22/Kh-32;
- 4 mísseis hipersônicos Zircon/Onyx (um número recorde em um único ataque);
- 450 drones de ataque, majoritariamente do tipo Shahed.
A defesa aérea ucraniana conseguiu interceptar ou neutralizar 412 drones e 38 mísseis, mas impactos ocorreram em 27 locais, causando danos significativos a usinas térmicas, subestações e redes de transmissão. Empresas como a DTEK classificaram o bombardeio como o mais poderoso de 2026 contra o sistema energético.
Em Kyiv, a capital, mais de 1.170 prédios residenciais ficaram sem aquecimento, afetando milhares de famílias em pleno inverno rigoroso. Relatos incluem explosões em edifícios civis, uma creche e até o Museu Nacional da História da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial. Outras cidades como Kharkiv, Dnipro, Odesa e Sumy também registraram blecautes parciais e danos em infraestrutura.
Fim da Trégua e Pressão Antes de Negociações
O ataque veio logo após o término de uma trégua temporária em alvos energéticos, acordada entre Moscou e Washington sob influência do presidente Donald Trump. A pausa, que durou até 1º de fevereiro, visava facilitar diálogos. No entanto, com a expiração do acordo, a Rússia retomou os bombardeios intensos, coincidindo com a véspera de novas rodadas de negociações trilaterais (Rússia-Ucrânia-EUA) em Abu Dhabi, marcadas para os dias seguintes.
Zelensky acusou Moscou de usar o inverno como arma para aterrorizar a população civil, priorizando destruição em vez de diplomacia. Ele destacou o uso recorde de mísseis balísticos e pediu pressão máxima internacional sobre a Rússia, incluindo mais sistemas de defesa aérea para proteger civis.
Do lado russo, o Ministério da Defesa alegou ter mirado o complexo militar-industrial ucraniano e instalações de produção de drones, negando foco em alvos civis.
Impactos Humanitários e Perspectivas para o Conflito
Milhões de ucranianos já enfrentam blecautes crônicos e falta de aquecimento devido a ataques anteriores. Esse novo bombardeio agrava a crise humanitária, com feridos confirmados (pelo menos 9 a 12 em relatos iniciais) e risco de mortes indiretas pelo frio extremo.
O episódio reforça a dinâmica de guerra de atrito: a Rússia busca desgastar a Ucrânia com volume massivo de projéteis baratos (drones), enquanto Kyiv depende de defesas ocidentais para sobreviver. Analistas veem o ataque como manobra de pressão máxima antes das conversas de paz, mas sem indícios de recuo russo nas demandas territoriais.



